12 Custeio Baseado em Atividade – ABC

Activity Based Costing (ABC) ou Custeio Baseado em Atividades, é uma metodologia de cálculo de custos, que procura conhecer as causas dos custos, evitando o tradicional rateio.

A grande mudança quando se utiliza  o ABC é que diferentemente do modelo tradicional, no qual o foco são os custos gerados pela produção, o foco passa a ser o custo das atividades e não o custo dos insumos e do produto.

O sistema de custeio baseado em atividades é fundamentado no conceito de que são as atividades que causam custos, e que os produtos, serviços e consumidores são as razões pelas quais as atividades são realizadas.

Surgiu na década de 1970 e 80, em decorrência da crescente falta de relevância dos métodos tradicionais de contabilização de custos, projetados em torno de 1870-1920. Naqueles idos tempos a indústria estava em trabalho intensivo, não havia nenhuma automação, a variedade de produto era pequena e as despesas gerais nas organizações geralmente eram muito baixas em relação aos dias de hoje. Os principais fatores de produção eram matéria-prima e mão-de-obra, sendo que, normalmente, os custos indiretos representavam parcela irrelevante do custo total. Nesse cenário, a preocupação dos contadores de custos era a de apropriar adequadamente os custos diretos (matéria-prima e mão-de-obra) aos produtos e/ou centros de custo. Não havia a mesma preocupação, o mesmo cuidado em relação ao rateio dos custos indiretos, em virtude de sua pouca significância.

A essência eram os critérios aleatórios e arbitrários, para rateio dos custos indiretos aos produtos e aos centros de responsabilidade, tidos como critérios imprecisos, inexatos, que resultavam em significativas distorções na apuração dos efetivos custos dos produtos. Nestes sistemas tradicionais, os custos indiretos são rateados para os produtos ou serviços, o que acaba causando distorções e, consequentemente, poderá levar a tomada de decisões equivocadas.

Por outro lado nota-se, com a evolução tecnológica, o significativo crescimento da participação dos custos indiretos, os quais não podiam mais ser apropriados com base nos antigos critérios, sob pena de provocarem relevantes distorções na apuração dos verdadeiros custos de produção.

Surgiram, em consequência, diversas técnicas inovadoras para análise e controle dos custos e principalmente levando em conta a apropriação dos custos indiretos. Com o intuito de superar essas dificuldades, desenvolveu-se uma nova abordagem para apuração, custeio e contabilização dos custos. Essa abordagem baseia-se no que é chamado de custeio baseado em atividades (ABC – Activity Based Costing).

O princípio básico do ABC é que as atividades são as causas dos custos, e os produtos incorrem nestes mesmos custos através das atividades que eles consomem. O ABC, na prática, leva a um rastreamento de dados, os quais habitualmente não eram considerados, visando analisar e monitorar as rotas de consumos dos recursos “diretamente identificáveis” com suas respectivas atividades e destas para os produtos ou serviços da organização. Objetiva detectar os custos “ocultos” existentes para produzir bens e serviços, e assim auxilia no descobrimento de custos reais dos produtos gerados.

Este sistema já mostrou sua viabilidade e eficiência no processo de gerenciamento de organizações industriais, motivando sua expansão para outros setores, como o de serviços. Atividade, para o conceito ABC pode ser definida, como um processo, que combina de forma adequada, pessoas, tecnologias, materiais, métodos e seu ambiente, tendo como objetivo a geração de produto.

A questão, obviamente é se o método ABC superou ou não as deficiências que existiam?  A resposta é sim. ABC é considerado uma das mais importantes inovações de gestão dos últimos cem anos.

Orientação para estrutura versus orientação para o processo – Os sistemas tradicionais de custeio são mais preocupados com os organogramas que com os processos. Sistemas de custeios tradicionais são, portanto, estruturalmente orientados e a visão de processo completamente ausente. Porque o ABC é orientado para o processo, e reúne informação a partir dos mesmos, pode ser usado para identificar  ‘o que precisa ser feito’ e ‘como alocar recursos de forma mais produtiva’. ABC pode, portanto, dar aos gestores a capacidade de corresponder as necessidades de recursos com a capacidade disponível e, consequentemente, melhorando a produtividade. Disso concluímos que a abordagem orientada a estrutura dos sistemas tradicionais de custeio não dão suporte à decisão, na alocação de capacidade.

A direção das setas é diferente, porque o ABC traz informações detalhadas dos processos para avaliar os custos e gerenciar a capacidade em vários níveis, enquanto os métodos tradicionais de contabilidade de custos simplesmente alocam custos.

Consumo de recursos versus consumo de atividades

ABC reconhece que não é possível gerenciar os custos, e sim gerir o que está sendo feito e, em seguida, os custos que podem ser estudados e mudados como consequência. Na contabilidade tradicional de custos, porém, o pressuposto é que os custos podem ser gerenciados, mas como a maioria dos gerentes descobriram, da maneira mais difícil – gerir custos é quase impossível na contabilidade convencional.

O benefício da mentalidade do ABC é que ele abre para uma maior variedade de medidas mensuráveis, quando se trata de melhorar a produtividade. Por meio da investigação sistemática do que está sendo feito, ou seja, as atividades, pode-se identificar a capacidade excedente, se ocorrer, e também a falta de capacidade, ou má alocação de capacidade. Um resultado disto pode ser que os custos sejam cortados, com indicação de realocação da capacidade, o que permitirá obter alta produtividade de forma mais eficaz do que a maneira tradicional.

Vantagens do ABC, em relação a outros métodos de Custeio:

  • Identifica os “direcionadores” de custos, que facilitam a identificação de custos desnecessários, que não agregam valor
  • Possibilita a gestão orientada aos objetivos de custos – Gestão baseada em Custo
  • Atribui os custos indiretos aos produtos de maneira coerente e na proporção exata, com a utilização dos recursos consumidos para a execução das necessárias atividades
  • Classifica hierarquicamente as atividades, permitindo identificar aquelas que consomem mais recursos, ou seja, que representam custos mais elevados, mais relevantes
  • Provê informações gerenciais relativamente mais fidedignas por meio da redução do rateio
  • Adéqua-se mais facilmente às organizações de serviços, pela dificuldade de definição do que seja custo, gasto e despesa nesse segmento de negócio
  • Menor necessidade de rateios arbitrários
  • Atende aos Princípios Fundamentais de Contabilidade (similar ao custeio por absorção)
Característica da informação gerada pelo ABC Impacto produzido pela informação no ambiente gerencial da empresa.
Permite a apuração dos custos dos produtos com maior precisão Revisões das margens de contribuição e rentabilidade dos produtos – preço de comercialização mais preciso
Identifica os custos que não agregam valor aos produtos e aos processos Aumento da lucratividade, com a eliminação dos custos desnecessários.
Constata certas informações gerenciais de custos invisíveis, não disponíveis no custeio tradicional. Aprimoramento do desempenho e melhor orientação para o processo decisório estratégico.

Aplicação

  • Quando se necessita obter os custos reais para a execução de um processo e consequentemente para a geração de seu correspondente produto.
  • Identificar quais passos do processo mais contribuem para o custo total do mesmo, ou seja, para a geração do seu produto (objetivos baseados em Custo)
  • Identifica o custo de cada passo no processo, bem como do processo em relação aos custos totais da organização
  • Provê informações gerenciais que auxiliam os tomadores de decisão
  • Pode ser empregado em diversos tipos de segmentos de negócio, principalmente em áreas de serviço
  • Informação precisa para gestão econômica, custo de oportunidade e custo de reposição.
  • Fundamento para melhoria da operação com base na melhoria de cada processo, orientada pela redução de custo (Ferramenta de Gestão de Processo – BPM).
  • Base mais precisa para formação de preço de venda

Cordialmente,

Pedro Osorio Souza Mello   ./

Fique à vontade para me contatar:    pepontomello@gmail.com                                          Abril – 2015

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Sobre Pedro Osorio Souza Mello
Olá! Sou Pedro Osorio Souza Mello, responsável técnico por um grande volume de projetos - que envolvem Processos de Negócio - pela empresa Memora – Processos Inovadores. Já passei por vários papéis no ciclo de vida de BPM, nos meus mais de 15 anos dedicados a esse segmento de trabalho. Sou o responsável pela execução e entrega dos projetos e sempre que possível, participo também da execução, o que me traz bastante alegria e conforto. Tenho uma ligação muito especial com o tema “treinamento”, o que me levou a ser também Professor – em disciplinas ligadas à Gestão de Processos”, na FIAP – Faculdade de Informática e Administração de São Paulo, nos cursos de: •Gestão de Processos de Negocio •Arquiteturas Corporativas de TI •Arquitetura de Soluções •Engenharia de Software Orientada a Serviços (SOA) •MBA em Sistemas de Gestão Empresarial – ERP – SAP (O fato de BPM estar entre as disciplinas destes cursos é uma prova eloquente do valor do tema nos dias atuais e a relevância que tem entre os assuntos de TI). Prometi a mim mesmo escrever um livro sobre Gestão de Processos de Negócio, todavia com os novos tempos, entendi melhor fazê-lo de uma forma publicável através da rede. Gosto de compartilhar aquilo que já aprendi e receber dicas e conhecimentos de outros colegas que também convivem neste universo. A ideia desse blog é exatamente para isso. Tenho uma convicção forte sobre o potencial de Gestão de Processos - BPM, como mecanismo de melhoria contínua das organizações e sempre que me for possível, quero estar ligado, fazendo, experimentando, pensando e escrevendo sobre o tema e também sobre os vários recursos ligados a ele. Apesar de me utilizar de pesquisas, publico apenas aquilo que faz parte da minha acreditação e convicção. As opiniões expressas são estritamente minhas. Sou grato pela sua visita e espero que outros futuros acessos também ocorram. Cordialmente, Pedro Osorio Souza Mello Abril 2015

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